A contratualização das relações afetivas e os novos contornos da autonomia: uma análise à luz dos direitos da personalidade
Resumo
O presente artigo analisa o fenômeno contemporâneo da contratualização das relações afetivas à luz da ressignificação da autonomia no Direito Civil constitucionalizado. Parte-se da transição da autonomia da vontade, típica do Estado Liberal e centrada no patrimonialismo, para a autonomia privada, atualmente orientada pelos princípios da dignidade da pessoa humana, da função social e da boa-fé objetiva. Nesse contexto, o contrato passa a assumir função que extrapola a esfera econômica, alcançando situações jurídicas existenciais e permitindo a autorregulação de vínculos afetivos como o casamento, a união estável e o namoro, por meio de instrumentos como o pacto antenupcial, o contrato de convivência e o contrato de namoro. A partir dessa ampliação funcional do contrato e da centralidade da autonomia existencial, o estudo propõe a reflexão sobre a possibilidade de a contratualização das relações afetivas ser compreendida como expressão dos direitos da personalidade, à luz da teoria pluralista e da tutela do livre desenvolvimento da personalidade humana.
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